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DEBOCHE E DESPREZO

Jovens ironizam estupro coletivo: "A mãe de alguém teve que chorar"

Imagens feitas em elevador mostram envolvidos sorrindo e debochando do caso; após repercussão, novas denúncias de violência sexual surgem contra o grupo.

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Imagem ilustrativa da notícia Jovens ironizam estupro coletivo: "A mãe de alguém teve que chorar" camera Suspeitos investigados por estupro coletivo aparecem sorrindo em vídeo gravado dentro de elevador logo após deixarem o apartamento em Copacabana. | Reprodução

Em tempos nos quais a violência contra mulheres volta a ocupar o centro do debate público no Brasil, episódios que combinam brutalidade e desprezo pelas vítimas provocam indignação ainda maior. Foi o que ocorreu após a divulgação de um vídeo gravado por jovens envolvidos em um caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

As imagens, exibidas no último domingo pela TV Globo, mostram os rapazes no elevador do prédio logo após deixarem o apartamento onde o crime teria ocorrido. No vídeo, um adolescente que teria levado a jovem até o local aparece filmando os outros envolvidos e faz uma declaração em tom de deboche, sugerindo que a mãe de alguém "teria que chorar", enquanto os demais sorriem para a câmera.

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De acordo com as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foram identificados Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, além de Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, de 19. Todos se apresentaram às autoridades e estão presos. O adolescente que aparece no vídeo também foi localizado e apreendido.

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O delegado Angelo Lages classificou as imagens como perturbadoras. Segundo ele, o conteúdo registrado no elevador revela um comportamento que causa perplexidade até mesmo para investigadores acostumados a lidar com crimes graves. "São imagens chocantes. Faltam palavras para descrever o que esse tipo de conduta representa", afirmou.

NOVAS DENÚNCIAS

Inicialmente, o Disque Denúncia RJ chegou a divulgar cartazes para ajudar na localização dos quatro maiores de idade apontados no caso. A repercussão, no entanto, rapidamente ampliou o alcance das investigações.

Após o crime ganhar destaque, outras duas mulheres procuraram a polícia para relatar episódios semelhantes envolvendo integrantes do mesmo grupo. Uma delas afirmou ter sido vítima de dois dos envolvidos quando tinha apenas 14 anos. Segundo familiares, ela decidiu contar o ocorrido depois que o caso mais recente veio à tona.

AGRESSÃO SEXUAL EM FESTA

Outra jovem relatou um episódio ocorrido no ano passado durante uma festa. Ela afirma que foi pressionada por Vitor Hugo Oliveira Simonin, com quem estudava na época. Segundo o depoimento, ele teria insistido para que ela praticasse sexo oral, mesmo após repetidas negativas.

"Teve uma hora que ele pediu para eu praticar sexo oral nele. Eu falei que não ia fazer aquilo, muito menos ali. Enquanto a gente se beijava, ele começou a tentar empurrar minha cabeça para baixo. Eu falei 'Vitor, eu não vou fazer isso'. Ele continuou. Minhas pernas meio que cederam, eu caí, ele começou a forçar".

CONVITE RECUSADO

A jovem contou que conseguiu interromper a agressão quando um segurança apareceu no local. O episódio, segundo ela, só passou a ser reconhecido como violência após a repercussão do caso atual. "Quando tudo veio à tona, percebi que aquilo também tinha sido estupro e que eu precisava falar", relatou.

Ela também afirmou que, algum tempo depois do ocorrido, recebeu uma mensagem do adolescente apreendido no caso mais recente, convidando-a para ir a um apartamento. O convite foi recusado.

VEJA O VÍDEO

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