A chuva que começou como mais um alerta meteorológico transformou-se, em poucos dias, em uma das maiores tragédias recentes de Minas Gerais. Ruas viraram rios, encostas cederam e famílias inteiras precisaram deixar para trás o que construíram ao longo de uma vida. O estado já contabiliza 69 mortos após o temporal que atingiu principalmente os municípios de Juiz de Fora e Ubá no início da semana.
Nesta sexta-feira (27), teve início o quarto dia de buscas por cinco pessoas que seguem desaparecidas. Segundo a Polícia Civil, todos os 69 corpos localizados já passaram por perícia e foram liberados para as famílias. Do total de vítimas, 63 morreram em Juiz de Fora. Em Ubá, seis pessoas perderam a vida, a maioria em decorrência de soterramentos.
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Em entrevista à CNN Brasil, o tenente-coronel Wenderson Marcelino, coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, informou que mais de 600 profissionais atuam nas operações de resgate e apoio nas áreas afetadas. Bombeiros, policiais e equipes de assistência social seguem mobilizados em meio a escombros e áreas alagadas.
Durante coletiva realizada pela manhã, o representante da Defesa Civil, Paulo Rezende, fez um apelo direto à população: quem já deixou áreas de risco não deve retornar. A previsão indica possibilidade de novas chuvas intensas até o fim de semana, o que aumenta o perigo de deslizamentos e inundações. O órgão afirma estar prestando suporte a todos os municípios impactados.
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Ao todo, Juiz de Fora e Ubá somam mais de 3.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas. Diante da dimensão dos danos, as duas cidades decretaram estado de calamidade pública e ativaram planos de contingência emergencial.
Recursos e luto oficial
O governo de Minas Gerais anunciou a antecipação de R$ 8 milhões para Ubá e R$ 38 milhões para Juiz de Fora, valores destinados à recuperação de infraestrutura e à assistência às famílias atingidas. Também foi decretado luto oficial de três dias em todo o estado.
A Defesa Civil e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantêm alerta de “grande perigo” para a região. A saturação do solo, explicam os técnicos, eleva o risco de novos deslizamentos mesmo com chuvas de menor intensidade.
O governador Romeu Zema classificou o momento como de “grande sofrimento” e afirmou que acompanha de perto as operações. Segundo ele, houve mobilização total das equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, com prioridade absoluta para o resgate e o amparo às vítimas.
Histórico de tragédias
Minas Gerais convive, há décadas, com episódios extremos durante o período chuvoso. Levantamento da MetSul Meteorologia mostra que o estado acumula uma sequência de desastres marcantes.
Em 1979, a chamada “grande enchente” deixou 246 mortos após mais de 35 dias consecutivos de chuva, isolando 37 cidades. Em 1992, o deslizamento na Vila Barraginha, em Contagem, provocou 36 mortes. Já em janeiro de 1997, 83 pessoas morreram em apenas um mês, enquanto centenas de milhares ficaram sem acesso à água potável.
Mais recentemente, entre 2019 e 2020, 74 pessoas morreram no estado durante o período chuvoso. Em janeiro de 2020, Belo Horizonte registrou 935,2 milímetros de chuva o maior volume para o mês desde 1910.
Agora, fevereiro de 2026 se aproxima do fim com acumulados acima da média em grande parte do estado. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Juiz de Fora o volume já ultrapassa 763 milímetros, configurando o fevereiro mais chuvoso desde o início das medições do Inmet, em 1961.
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