O avanço da tecnologia, o cruzamento minucioso de dados e o cuidado institucional em casos sensíveis têm redefinido a forma como crimes de grande repercussão são investigados no país. Quando o fato envolve comoção pública, proteção animal e adolescentes, o desafio das autoridades se amplia, exigindo rigor técnico e atenção aos limites legais. Foi nesse cenário que a Polícia Civil de Santa Catarina encerrou uma investigação que mobilizou diferentes frentes especializadas.
O órgão de segurança anunciou, na última terça-feira (3), a conclusão do inquérito sobre a morte do cão Orelha, ocorrida no dia 4 de janeiro, na região da Praia Brava, em Florianópolis. Como resultado, a corporação pediu a internação de um adolescente apontado como autor do crime e indiciou três adultos por coação de testemunhas. Ao longo da apuração, oito menores foram investigados, mas nenhuma identidade foi divulgada, em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
CONTEÚDO RELACIONADO
- Investigação aponta responsáveis pela morte do cão Orelha
- Marcos Palmeira é vítima de golpe envolvendo morte do cão Orelha
- Ativistas de Belém vão à praça protestar pelo cão Orelha
COMO ADOLESCENTE FOI INDENTIFICADO
Segundo a corporação, a identificação do responsável ocorreu após a análise de mais de mil horas de gravações de 14 câmeras de segurança instaladas na região. Além disso, foram ouvidas 24 testemunhas e colhidas provas materiais, como as roupas utilizadas pelo adolescente no dia do crime, todas registradas em vídeo. A investigação também contou com o auxílio de um software francês, capaz de mapear a localização do suspeito no momento do ataque fatal ao animal.
Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
"Por conta da gravidade do caso Orelha, a polícia pediu a internação do adolescente, que é equivalente a uma prisão de adulto. Ainda, com a conclusão da extração e análise dos dados dos celulares apreendidos, serão corroborados elementos probatórios já obtidos, bem como levantadas eventuais outras informações sobre o caso", informou a Polícia Civil, em nota oficial.
Durante o andamento do inquérito, três adultos passaram a responder por coação de testemunhas. A apuração ficou a cargo da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e da Delegacia de Proteção Animal, ambas vinculadas à Polícia Civil de Florianópolis.
VIAGEM E TENTATIVA DE OCULTAR PROVAS
A polícia informou ainda que o adolescente viajou para os Estados Unidos no mesmo dia em que os investigadores chegaram aos nomes dos suspeitos. Ele permaneceu fora do país até o dia 29 de janeiro, quando foi interceptado pela polícia ainda no aeroporto, no retorno ao Brasil. Após o desembarque, um familiar teria tentado esconder um boné rosa e um moletom que, segundo a investigação, foram usados pelo menor no dia do crime.
A corporação destacou que a extração e análise dos dados dos celulares apreendidos ainda devem reforçar as provas já obtidas e eventualmente revelar novas informações relevantes.
CRONOLOGIA DO DIA DO CRIME
A polícia também divulgou uma cronologia detalhada do dia do crime e apontou contradições no depoimento do suspeito. De acordo com as imagens analisadas, o adolescente deixou o condomínio onde mora às 5h25 da manhã e retornou às 5h58 acompanhado de uma amiga - versão diferente da apresentada inicialmente, quando afirmou ter permanecido na área da piscina durante todo o período. "O adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina", destacou a nota
A Polícia Civil afirmou que adotou medidas para evitar vazamentos durante a investigação, justamente pelo risco de fuga ou destruição de provas. . "Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia empreender fuga ou descartar elementos que comprovaram a autoria, como o celular", informou na mesma nota. Com a oitiva final do adolescente realizada nesta semana, os procedimentos relativos aos casos Orelha e Caramelo foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário para as providências cabíveis.
CASO CARAMELO
Além da investigação sobre a morte do Cão Orelha, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu que outro cachorro, conhecido como Caramelo, também foi vítima de maus-tratos em Florianópolis. De acordo com a corporação, quatro adolescentes foram responsabilizados no chamado Caso Caramelo. Assim como na apuração anterior, os nomes dos envolvidos não foram divulgados, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo as investigações, Caramelo vivia nas ruas da capital catarinense ao lado de Orelha e teria sido alvo de uma tentativa de afogamento no mar. O animal, no entanto, conseguiu escapar da agressão e foi resgatado posteriormente, sobrevivendo ao ataque atribuído ao grupo de adolescentes.
Após o resgate, Caramelo acabou sendo adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel. A corporação destacou que os procedimentos relacionados ao caso foram formalizados e encaminhados às instâncias competentes, integrando o conjunto de investigações que envolvem crimes de maus-tratos contra animais na região.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar