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CIÊNCIA E SAÚDE

Entenda o que é a substância que pode regenerar lesão da medula espinhal

Estudo clínico aprovado pela Anvisa marca nova etapa de pesquisas da UFRJ sobre tratamento experimental para auxiliar na regeneração da medula espinhal.

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Imagem ilustrativa da notícia Entenda o que é a substância que pode regenerar lesão da medula espinhal camera A Anvisa autorizou os testes clínicos de polilaminina, reacendendo a esperança na regeneração da medula espinhal. | Divulgação/Anvisa

Em um campo da medicina onde cada avanço costuma ser lento, cuidadoso e cercado de expectativas, decisões regulatórias ganham peso simbólico. Quando a ciência dá um pequeno passo adiante, ele costuma carregar décadas de estudos, tentativas frustradas e a esperança silenciosa de milhares de pacientes que convivem com limitações impostas por lesões neurológicas graves.

Foi nesse contexto que, na última segunda-feira (5), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a primeira fase de testes clínicos da polilaminina, uma substância usada no tratamento experimental voltada à regeneração de lesões da medula espinhal. A etapa inicial terá foco exclusivo na segurança do tratamento e contará com a participação de cinco pacientes, marco considerado decisivo para que a pesquisa avance para fases mais amplas.

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O QUE É A POLILAMININA

Embora o anúncio seja recente, a polilaminina não surge como novidade nos laboratórios brasileiros. A substância é estudada há mais de duas décadas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que investigam seu potencial como aliada no tratamento de lesões medulares, um dos maiores desafios da neurociência contemporânea.

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Derivada da laminina, uma glicoproteína essencial ao desenvolvimento do sistema nervoso, a polilaminina é uma versão reorganizada em laboratório dessa molécula, formulada a partir de material extraído da placenta humana. A laminina atua na matriz extracelular como uma espécie de “cola biológica”, conectando células e favorecendo a formação de circuitos neurais. Na vida adulta, porém, essa função torna-se limitada, especialmente no sistema nervoso central.

RECONEXÃO DOS NEURÔNIOS

A proposta da polilaminina é justamente “reprogramar” essa estrutura, fazendo com que a laminina volte a atuar de forma semelhante às fases iniciais do desenvolvimento neural. De acordo com os estudos, essa reorganização pode favorecer a reconexão dos neurônios e abrir caminho para a recuperação parcial ou até total de lesões na medula espinhal.

Na primeira fase do estudo clínico, participarão pacientes entre 18 e 72 anos com lesões agudas completas da medula espinhal torácica, localizadas entre as vértebras T2 e T10. As lesões devem ter ocorrido há menos de 72 horas e apresentar indicação cirúrgica. A substância será aplicada uma única vez, por meio de injeção intramedular diretamente na área lesionada.

Essa etapa inicial, conduzida pelo laboratório patrocinador do estudo sob supervisão da Anvisa, avaliará riscos potenciais, estratégias para minimizá-los e a viabilidade de continuidade da pesquisa. Somente após essa análise será possível autorizar o avanço para as fases 2 e 3, voltadas à avaliação da eficácia do tratamento em um número maior de pacientes.

CASOS DE SUCESSO

Segundo o laboratório Cristália, a polilaminina já foi utilizada anteriormente em caráter experimental, fora de protocolos clínicos formais. Entre os casos citados está o de Bruno Drummond, que ficou tetraplégico após um acidente de carro e teria apresentado recuperação completa cinco meses após receber a substância. Outro relato envolve a atleta paralímpica Hawana Cruz Ribeiro, que apontou melhora significativa no controle do tronco e no retorno de sensibilidade após o tratamento.

Agora, com a autorização oficial da Anvisa, a polilaminina deixa o terreno das experiências isoladas e passa a ser testada sob os critérios rigorosos da ciência clínica - etapa indispensável para transformar esperança em tratamento comprovado.

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