O carro movido exclusivamente a etanol, que perdeu espaço no mercado brasileiro com a popularização dos motores flex, pode estar prestes a ganhar uma nova chance. A estratégia voltou a chamar a atenção das montadoras principalmente por causa dos incentivos tributários criados pelo programa Mover.
A General Motors saiu na frente e já oferece versões do Chevrolet Onix e do Onix Plus desenvolvidas para funcionar somente com etanol. Volkswagen e Stellantis também estudam seguir o mesmo caminho.
Apesar do argumento ambiental relacionado ao uso do biocombustível, o principal incentivo para as fabricantes é financeiro: determinados modelos podem obter redução ou até zerar a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ao atender aos critérios do programa Carro Sustentável.
Por que as montadoras estão voltando ao etanol?
A retomada dos carros exclusivamente a etanol está relacionada ao chamado IPI Verde, regulamentado pelo governo federal em 2025. O sistema considera fatores como fonte de energia, consumo, potência, segurança, reciclabilidade e impacto ambiental para definir a tributação dos veículos.
Um carro dedicado ao etanol recebe redução de 0,5 ponto percentual na alíquota do IPI pelo combustível utilizado. Já um modelo flex não recebe esse benefício nesse critério.
Em determinadas condições, a redução pode fazer com que o veículo se enquadre no programa Carro Sustentável e tenha o IPI zerado.
Para isso, também são considerados critérios como emissão de CO₂, reciclabilidade e produção nacional. Veículos que emitem até 93 gramas de CO₂ e possuem pelo menos 80% de reciclabilidade podem obter vantagens tributárias.
Etanol leva vantagem no cálculo de emissões
Um dos fatores que favorecem o etanol é a forma como as emissões são calculadas. O sistema considera o ciclo completo do combustível, desde a produção até o uso no veículo.
A cana-de-açúcar absorve dióxido de carbono durante o crescimento. Com isso, parte das emissões geradas na produção, distribuição e utilização do etanol é compensada.
Já um veículo flex precisa ser homologado considerando seu funcionamento tanto com etanol quanto com gasolina. Isso pode resultar em um índice de emissões de CO₂ menos favorável para o enquadramento tributário.
Chevrolet já oferece Onix exclusivo a etanol
A Chevrolet foi a primeira montadora a aproveitar a oportunidade com as versões Eco do Onix e do Onix Plus.
Os modelos utilizam motor 1.0 turbo de três cilindros, câmbio automático de seis marchas e funcionam exclusivamente com etanol. Os preços anunciados são de R$ 103.190 para o hatch e R$ 106.990 para o sedã.
As versões turbo automáticas flex, quando abastecidas também com gasolina, ultrapassavam o limite ambiental necessário para acessar alguns dos principais benefícios tributários.
Ao retirar a possibilidade de utilização da gasolina, a General Motors conseguiu melhorar o enquadramento do conjunto e reduzir o preço de determinadas configurações.
A mudança não exige uma transformação completa do motor. A adaptação envolve principalmente alterações na calibração eletrônica e no processo de homologação.
Volkswagen e Stellantis estudam estratégia
A Volkswagen já admitiu que vê espaço para veículos exclusivos a etanol, embora ainda não tenha confirmado o lançamento de um modelo específico.
A fabricante possui motores da família EA211 amplamente nacionalizados e poderia aplicar a estratégia em veículos compactos de grande volume.
A Stellantis também dispõe da tecnologia e avalia a demanda antes de decidir pelo lançamento de modelos dedicados ao biocombustível. A solução poderia ser utilizada por diferentes marcas do grupo, incluindo Fiat, Citroën e Peugeot.
Até o momento, porém, nenhuma dessas fabricantes confirmou oficialmente um modelo exclusivo a etanol.
Carros flex devem continuar no mercado
O retorno dos veículos dedicados ao etanol não significa o fim dos carros flex. A possibilidade de escolher entre gasolina e etanol continua sendo uma vantagem para os consumidores, principalmente em regiões onde o biocombustível apresenta preços mais altos ou menor disponibilidade.
A tendência é que os modelos exclusivos sejam utilizados inicialmente em versões específicas, especialmente configurações automáticas de entrada e veículos destinados a frotistas, locadoras, taxistas e empresas interessadas em reduzir emissões.
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Diferentemente dos carros a álcool que se popularizaram no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, a nova geração surge em um cenário diferente. Agora, além das características ambientais do etanol, o combustível pode ajudar as montadoras a alcançar benefícios tributários.
Para o consumidor, a principal vantagem está no preço de compra. Já o custo de utilização continuará dependendo da relação entre os preços do etanol e da gasolina em cada região.
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