Quem tenta abrir um app de apostas está dando de cara com um aviso do governo. Os sites saíram do ar à meia-noite, por causa da Medida Provisória 1.394/2026, assinada em 25 de setembro. A MP proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.
Quem acompanha futebol de perto, sabe que essa medida mexe com o bolso do clube, com a camisa e até com a eleição. E cai bem no meio do outubro mais pesado para times como o Fluminense, segundo mostram as estatísticas da APWin.
A camisa e o caixa
O Fluminense tem a Superbet como patrocinadora máster. Pela MP, os patrocínios de casas de apostas só podiam ficar expostos até 5 de outubro. Ou seja, o jogo contra o Coritiba, na última quinta-feira (8), foi o primeiro do Tricolor sob a nova regra.
O clube não divulgou o impacto exato. Mas o patrocínio máster é a maior receita comercial de qualquer clube grande no Brasil, e quase todos venderam esse espaço para uma bet. Perder isso no meio da temporada não é detalhe.
Pensando nisso, o Fluminense se juntou a outros clubes e acionou o STF contra a MP das bets. O pedido foi feito em 2 de outubro, ao lado de Botafogo, Cruzeiro e mais 14 clubes das Séries A e B. O Flamengo já tinha ido ao Supremo sozinho dias antes.
O que o STF ainda pode fazer
As ações estão com o ministro Luiz Fux. O setor pede que ele suspenda a MP até o Congresso votar o texto. A AGU pediu na segunda-feira (5) que a proibição seja mantida, citando o endividamento das famílias com as apostas.
Uma liminar pode sair a qualquer momento. E toda MP precisa ser votada pelo Congresso em até 120 dias, senão perde a validade.
E o torcedor, como fica?
O prazo para sacar o saldo das plataformas terminou na segunda (5). Segundo a Fazenda, ainda havia R$ 1,33 bilhão parado nas contas. Quem não sacou deve receber o valor de volta automaticamente, pelos bancos, entre 9 e 14 de outubro.
Outro ponto: sites piratas. O governo mandou bloquear mais de 5,2 mil endereços clandestinos desde 27 de setembro, mas sempre aparece algum novo. Sem regulação, não há a quem reclamar se o dinheiro sumir.
Um outubro sem folga
O Fluminense está em quarto no Brasileirão, com 51 pontos, e o mês não perdoa:
- 14/10: Fluminense x Palmeiras, ida da semifinal da Libertadores
- 18/10: Fluminense x Santos
- 21/10: Palmeiras x Fluminense, volta da semifinal
- 24/10: Chapecoense x Fluminense
Uma semifinal de Libertadores decidida enquanto o clube discute no Supremo o futuro do próprio patrocínio, com uma eleição no meio. Talvez nada disso mude o que acontece em campo, mas muda muita coisa fora dele.
Por enquanto: a camisa deve estar diferente, o app não abre mais e a decisão final ainda não saiu. Vale acompanhar o STF nos próximos dias e o Congresso nos próximos meses. E torcer, claro, que essa parte continua de graça.
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