O Paysandu terminou a partida contra o Confiança com números que normalmente indicariam uma vitória sem grandes sustos. Foram 22 finalizações, nove delas no alvo, 67% de posse de bola e quase 500 passes trocados. Mesmo assim, o Papão precisou esperar os minutos finais para transformar superioridade em vitória.
O cenário ajuda a entender uma característica que vem acompanhando a equipe nas últimas rodadas: a equipe de Júnior Rocha consegue controlar boa parte dos jogos, mas ainda encontra dificuldades para transformar esse controle em vantagem no placar.
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Contra o Confiança, isso ficou evidente. O time paraense teve mais a bola, ocupou o campo ofensivo e finalizou quase quatro vezes mais que o adversário. Ainda assim, foi para o intervalo em desvantagem após sofrer um gol de falta aos 45 minutos.
Domínio que não vira tranquilidade
Ter a bola durante mais tempo não significa necessariamente criar chances claras. No caso do Paysandu, porém, a quantidade de finalizações mostra que a equipe conseguiu levar o jogo para perto da área adversária.
Foram 22 tentativas contra apenas seis do Dragçao. A diferença também apareceu nos chutes que exigiram intervenção do goleiro Matheus Emiliano: nove do Papão contra somente dois do time sergipano.
O problema está no aproveitamento desse volume. Foram 22 finalizações para marcar apenas duas vezes, enquanto o Confiança conseguiu fazer o gol em uma das poucas oportunidades que teve antes da reação bicolor.
Esse tipo de partida aumenta a pressão sobre a própria equipe. Quanto mais o Paysandu domina sem abrir vantagem, maior fica a possibilidade de um lance isolado mudar completamente o cenário.

A bola circula, mas precisa machucar mais
Outro dado reforça o controle exercido pelo Papão: 498 passes contra 200 do Confiança. A equipe teve capacidade para circular a bola, mudar o lado da jogada e manter o adversário recuado durante boa parte do confronto.
O desafio passa a ser transformar essa circulação em situações realmente perigosas. Não basta permanecer no campo ofensivo; é preciso encontrar o último passe, acelerar no momento certo e finalizar melhor as jogadas construídas.
Foi justamente quando aumentou a agressividade que o Paysandu conseguiu mudar a história do jogo. Ítalo empatou aos 43 minutos do segundo tempo e Carrerette marcou a virada já nos acréscimos.
Um padrão que merece atenção
O problema, portanto, não está necessariamente na capacidade de competir ou controlar as partidas. O Paysandu tem conseguido produzir futebol suficiente para se impor contra adversários, mas frequentemente deixa o resultado aberto por tempo demais.
Isso faz com que uma equipe superior em campo precise resolver os jogos no limite. Contra o Dragão Sergipano, a virada veio. Em outras partidas, esse mesmo roteiro pode terminar de maneira diferente.
A reta final da primeira fase aumenta a importância desse detalhe. Cada ponto passa a ter peso maior na briga pela classificação, e depender de reações nos minutos finais é um risco que o Papão precisa reduzir.
A vitória mostrou força para buscar o resultado mesmo em uma situação adversa. Mas também deixou um recado claro: o Paysandu precisa aprender a transformar domínio em vantagem antes que o jogo chegue ao sufoco.
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