A Federação Paraense de Futebol (FPF), em parceria com a campanha global Terra FC, implementou a Parada pelo Clima no Campeonato Paraense 2026. A iniciativa transforma a tradicional pausa para hidratação dos atletas em um momento de conscientização sobre os impactos das mudanças climáticas no futebol.
A ação teve início no dia 18 de janeiro, durante a vitória do Clube do Remo por 2 a 1 sobre o Águia de Marabá, pela Supercopa Grão-Pará e seguirá até a grande final do Parazão 2026, consolidando o futebol paraense como plataforma de debate e conscientização sobre a urgência da crise climática e seus impactos diretos na sociedade e no esporte.
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Como funciona a Parada pelo Clima
Durante as interrupções, que acontecem por volta dos 30 minutos de cada tempo, são exibidos vídeos nos telões dos estádios, transmitidas mensagens de locução ao público, posicionadas faixas no gramado e realizadas inserções nas transmissões oficiais.
A Parada pelo Clima ocorre em todas as 10 rodadas do Parazão 2026 — seis da primeira fase, uma das quartas de final, uma da semifinal e duas da final. A cada rodada, um novo tema é abordado. Nas semifinais, o foco é “Juventude, Futuro e Clima”. Segundo o presidente da FPF e vice-presidente da CBF, Ricardo Gluck-Paul, a proposta é usar o futebol como ferramenta de mobilização social.
“Transformar a pausa técnica em um espaço de alerta climático é uma forma de usar o futebol como plataforma de diálogo com a sociedade. A Parada pelo Clima mostra que inovação no esporte também passa por reconhecer riscos reais e estimular responsabilidade dentro e fora dos estádios”, afirmou.
Riscos climáticos no futebol brasileiro
Estudo encomendado pelo Terra FC e conduzido pela consultoria ERM aponta que 78% dos clubes das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro estão em municípios com alto risco de eventos climáticos severos nos próximos 25 anos. Dos 60 clubes que disputaram as três principais divisões nacionais em 2025, 47 estão em cidades com risco elevado. As perdas financeiras potenciais podem chegar a R$ 70 bilhões.
No Pará, Remo e Paysandu estão entre os mais expostos. As perdas estimadas para a dupla podem variar entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões no período analisado, especialmente em razão de inundações severas e incêndios florestais. Clubes do Rio de Janeiro, como Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco da Gama, além do Athletic, também aparecem na lista de maior vulnerabilidade.
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Impactos diretos no esporte
Os efeitos da crise climática já são sentidos no calendário esportivo: jogos adiados, estádios danificados por enchentes, prejuízos logísticos e queda de desempenho dos atletas devido ao calor extremo e às chuvas intensas. A pausa para hidratação, que se tornou regra em competições estaduais, também será adotada na próxima Copa do Mundo. Para Laura Moraes, diretora do Terra FC, o futebol tem papel estratégico na mobilização social.
“Acreditamos no poder de mobilização do futebol para gerar consciência e inspirar mudanças reais. Esta iniciativa pioneira reforça o protagonismo do Pará no debate climático e abre caminho para levarmos essa mensagem para outros estados e campeonatos”, destacou.
Campanha global
O Terra FC é uma campanha internacional convocada pela rede Count Us In, que utiliza o esporte como ferramenta de mobilização ambiental. A iniciativa propõe cinco frentes de atuação: redução de emissões de carbono, adoção de práticas sustentáveis, engajamento de torcedores, preparação para eventos extremos e construção de parcerias para soluções coletivas.
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