Você já se perguntou quantas histórias existem no esporte paraense que muita gente nem faz ideia atualmente? E não estamos falamos apenas do nosso popular e amado futebol, mas sim de tantas outras modalidades. Outra coisa, você entende de Jogos Olímpicos? Conhece a história? E os medalhistas? E os heróis? Sabe da trajetória deles? Por serem esportes com menor clamor midiático, muitos não são lembrados ou caíram nas brumas do esquecimento.
Mas há um deles, em especial, que jamais será esquecido... E ele é paraense até no nome! Quem passa pela Avenida Augusto Montenegro pode ver em letras garrafais a importância desse atleta, que nomeia a majestosa e charmosa arena esportiva estadual, também conhecida com Mangueirinho por estar ao lado do Estádio Olímpico do Pará. É o campeão de tiro Guilherme Paraense.
O homenageado no ginásio poliesportivo é um dos grandes nomes brasileiros na história das Olimpíadas. Nascido em 25 de junho de 1884, Belém do Pará, Guilherme Paraense é nada mais, nada menos, do homem que o primeiro campeão olímpico do Brasil.
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E não só isso! Além da medalha de ouro, ele também foi o primeiro Porta-Bandeira do país em Olimpíadas, uma responsabilidade de grande honra e prestígio, pois representa a liderança e o espírito esportivo do atleta escolhido.
Paraoara de nascimento, Guilherme Paraense foi embora para o Rio de Janeiro com apenas 5 anos. Na Escola Militar de Realengo, ele começou a prática de tiro. Com muita desenvoltura e pouca idade, ele chamou atenção e seguiu praticando. A escolha profissional de Guilherme também tem relação com o esporte que o imortalizou: ele se tornou militar ao entrar na Escola Militar da Praia Vermelha e em 1912 foi promovido a Aspirante Oficial.
No ano de 1914 inaugurou o Revólver Clube, visando promover o esporte do tiro esportivo no país. Graças a todo o trabalho no meio, Paraense foi convidado para ingressar na Seleção Brasileira da modalidade.
Guilherme esteve nas Olimpíadas de 1920, na Bélgica, após uma viagem que durou 28 dias na 3ª classe de um navio mercante, em quartos pequenos e sem aberturas para o ar. Apesar de toda a dificuldade, os atletas brasileiros deram um jeito de treinar.
Como se já não bastassem todos os problemas, a Seleção foi informada de que o navio não chegaria a tempo dos jogos e todos decidiram desembarcar em Portugal para seguir viagem de trem aberto até Antuérpia, na região belga de Flandres.
Você acha que não podia piorar? Calma, que a situação só complica: as armas e munições dos brasileiros foram roubadas ao chegarem em Bruxelas e eles ficaram com 200 munições calibre 38. E sabe o que é pior? Eram cinco atletas e cada um precisaria de 75 balas, pelo menos.
Nada que a boa conversa e a simpatia brasileiras não conseguisse contornar: Guilherme Paraense, Sebastião Wolf, Dario Barbosa, Fernando Soledade e Afrânio Costa integravam a equipe e o último, após fazer amizades com norte-americanos, conseguiu 2 mil cartuchos e duas pistolas Colt.
Com a ajuda, os brasileiros conquistaram o bronze na disputa por equipes no dia 2 de agosto e conquistaram a primeira medalha do Brasil na história das Olimpíadas.
Antes do lugar mais alto do pódio, Afrânio colocou a medalha de prata no peito, após disputa na prova individual dos 50m de pistola livre, o que já era um feito e tanto.
Um dia depois, Guilherme Paraense mostrou que seria um grande nome caso vivesse no Velho-Oeste. A medalha de ouro veio na prova de pistola de tiro rápido, que consistia em 30 tiros a uma distância de 30 metros do alvo.
Ao todo, ele fez 274 pontos em 300 possíveis, ficando dois pontos à frente do americano Raymond Bracken, um dos militares que deu os equipamentos para Guilherme Paraense e o resto dos brasileiros.
Para se ter noção do feito na época, somente nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia, em 1952, que um brasileiro voltou a conquistar a medalha de ouro. Na ocasião, o felizardo foi Adhemar Ferreira da Silva, no atletismo.
Veja o vídeo!
Guilherme Paraense, a lenda
Ao todo, o competidor foi hexacampeão brasileiro de tiro, ao vencer os campeonatos no anos de 1913, 1914, 1915, 1918,1922 e 1927. Depois, ele resolveu abandonar a carreira e se dedicar à vida militar.
Em 1989, o exército batizou com o nome Polígono de Tiro Tenente Guilherme Paraense. Três anos depois, selos foram produzidos para homenageá-los nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.
O revólver utilizado por Guilherme Paraense nas Olimpíadas de 1920 ficou em exposição em um tour do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), passando por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.
A história do Tenente-Coronel Guilherme Paraense chegou ao fim no dia 18 de abril de 1968, quando ele sofreu um infarto e não resistiu, morrendo aos 83 anos e deixando um legado inesquecível.
O nome na Arena Mangueirinho, em Belém
A Arena Guilherme Paraense, conhecida popularmente como Mangueirinho, é um ginásio poliesportivo localizado em Belém do Pará. O nome oficial do ginásio é uma homenagem ao atleta olímpico Guilherme Paraense.
Equpe Dol Especiais:
- Reportagem: Kaio Rodrigues
- Coordenação e edição: Anderson Araújo
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