Um sensor discreto preso ao braço do ator José Loreto chamou a atenção do público nesta semana, durante a exibição da novela "Quem Ama Cuida", da TV Globo.
O dispositivo é um monitor contínuo de glicose, ferramenta essencial na rotina de Loreto, que convive com diabetes tipo 1 desde a adolescência. O ator nunca escondeu a condição e, ao longo dos anos, usou sua visibilidade para estimular o debate público sobre a doença.
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A repercussão do sensor nas cenas da novela reacendeu conversas sobre o que é o diabetes tipo 1, como ele se manifesta e quais são os cuidados necessários para controlá-lo.
Em entrevista concedida em 2018, José Loreto foi direto ao falar sobre seus hábitos de saúde.
"Eu meço minha glicose em todos os lugares. Qualquer lugar! E aplico insulina também, lógico, não tenho problema nenhum. Não tem que ter vergonha de nada", afirmou o ator.
Além disso, ele destacou o papel da doença como um estímulo ao autocuidado: "A diabetes nada mais cobra do que cuidar da sua saúde, o que toda pessoa deveria fazer. Acho importante falar isso para jovens saberem que não estão sozinhos".
Portanto, a visibilidade que Loreto confere ao tema vai além da exposição pessoal: ela funciona como um convite ao diálogo.
O que é o diabetes tipo 1?
O diabetes mellitus é uma doença metabólica caracterizada pelo excesso de glicose no sangue. No entanto, existem tipos distintos da condição, com causas e mecanismos diferentes.
A endocrinologista Deborah Beranger explica a distinção central:
"No caso do diabetes tipo 1, ocorre uma deficiência de insulina quando há destruição autoimune das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção do hormônio. É diferente do diabetes tipo 2, caracterizado pela resistência à insulina, isto é, o organismo até produz insulina, mas as células não respondem adequadamente a ela".
Portanto, no tipo 1, o organismo simplesmente deixa de produzir o hormônio em quantidade suficiente. Por isso, a reposição diária de insulina se torna indispensável.
O papel da insulina no organismo
A insulina é o hormônio responsável por permitir que as células utilizem a glicose como fonte de energia. A médica nutróloga Marcella Garcez define sua função com precisão:
"A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo, de forma que ela possa ser utilizada em diversas atividades celulares".
Quando esse hormônio está ausente ou não funciona de maneira adequada, a glicose se acumula na corrente sanguínea.
Marcella chama esse acúmulo de hiperglicemia e alerta para suas consequências: sem controle, a alteração pode provocar danos progressivos em olhos, rins, coração e nervos.
Sintomas que ajudam a identificar a doença
O diabetes tipo 1 costuma apresentar sinais que surgem de forma relativamente rápida. Os mais conhecidos são os chamados "3 Ps": polidipsia, polifagia e poliúria.
Além desses, a perda de peso não intencional pode aparecer como um quarto sinal, sobretudo quando a deficiência de insulina é acentuada. Deborah Beranger explica cada manifestação com clareza:
- Poliúria: os rins tentam eliminar o excesso de glicose pela urina, e a glicose arrasta água junto, aumentando o volume urinário;
- Polidipsia: a perda de líquidos provoca desidratação, que estimula uma sede intensa e persistente;
- Polifagia: apesar do excesso de glicose no sangue, as células não conseguem utilizá-la, é como se o corpo estivesse "faminto em meio à abundância";
- Perda de peso: sem conseguir aproveitar a glicose como energia, o organismo consome reservas de gordura e massa muscular.
No entanto, esses sinais não são exclusivos do tipo 1. Eles também podem aparecer em pessoas com diabetes tipo 2, especialmente quando a glicemia está muito elevada.
Diagnóstico e diferenciação entre os tipos
Clinicamente, os dois tipos de diabetes podem se confundir no início, pois causam sintomas semelhantes. Contudo, Deborah Beranger ressalta a importância de buscar avaliação médica ao perceber esses sinais.
"Reconhecer os sinais e buscar avaliação médica é importante porque a hiperglicemia persistente pode provocar danos progressivos aos vasos sanguíneos, nervos, rins e olhos", afirma a especialista.
Portanto, o diagnóstico precoce é determinante para evitar complicações.
Tratamento e monitoramento contínuo
No diabetes tipo 1, o tratamento depende da reposição diária de insulina, sem exceção.
Além disso, o acompanhamento envolve medição regular da glicose, alimentação adequada, prática de atividade física e consultas médicas periódicas para ajustar as doses conforme as necessidades de cada paciente.
O sensor no braço de Loreto é um exemplo de monitor contínuo de glicose, dispositivo que acompanha as variações da glicemia ao longo do dia. No entanto, essa tecnologia não substitui o acompanhamento médico; ela o complementa.
Exercício físico e atenção às oscilações
A prática de exercícios faz parte da rotina possível para quem tem diabetes tipo 1.
Marcella Garcez explica o benefício: "O exercício é capaz de aumentar a sensibilidade à insulina nas células do corpo. Quando uma pessoa se exercita, é preciso menos insulina para manter os níveis de açúcar no sangue sob controle".
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Porém, no tipo 1, a atividade física exige atenção redobrada. Alimentação, dose de insulina, intensidade do esforço e outros fatores precisam ser considerados com cuidado para reduzir o risco de oscilações importantes durante ou após a prática.
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