O futebol brasileiro tem rostos conhecidos dentro de campo, mas reserva histórias igualmente intensas fora dele. Por trás de cada atleta convocado para a Copa do Mundo de 2026, existe uma parceira que carrega responsabilidades que o público raramente conhece.
Luciele Di Camargo somou à carreira de atriz uma nova função: a de apresentadora. Ela é a anfitriã do Convocadas, reality do Globoplay que expõe a rotina das esposas e companheiras dos jogadores convocados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026.
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Além disso, sua posição não é apenas profissional, pois ela é casada com Denilson, ex-jogador e atual comentarista da TV Globo, o que lhe confere uma perspectiva singular sobre o tema.
Durante as gravações, Luciele admitiu que suas expectativas foram superadas. Ela esperava encontrar mulheres jovens e imaturas, porém se deparou com perfis muito diferentes.
"Me deparei com algumas muito maduras e conscientes do papel que exercem como companheiras e pilares na vida deles", declarou a apresentadora.
Portanto, a produção serviu também para desconstruir um estereótipo que ela mesma carregava.
O que existe além do glamour das WAGs?
O programa tem como proposta central ir além da imagem de luxo associada às chamadas WAGs, sigla em inglês para esposas e namoradas de atletas.
Segundo Luciele, os desafios emocionais dessas mulheres se assemelham aos de qualquer família comum. Ela listou os sacrifícios mais frequentes relatados pelas participantes:
- Abandono de carreiras próprias para acompanhar o parceiro;
- Perda de estabilidade emocional para preservar a rotina do atleta;
- Isolamento social em razão de mudanças constantes de cidade ou país.
"Não é porque alguém tem dinheiro que não sofre. Esse trabalho as humaniza", afirmou a apresentadora. Assim, o reality cumpre uma função que vai além do entretenimento.
Memórias da própria trajetória ao lado de Denilson
O projeto também reativou lembranças pessoais de Luciele. Ela relembrou o período em que apoiou Denilson na reta final da carreira esportiva, depois que o casal, junto desde 2008, retornou ao Brasil.
Naquele momento, ela precisou colocar seus projetos em segundo plano.
"As renúncias são as mesmas, apenas em cenários diferentes", comparou. Logo, sua vivência pessoal deu mais profundidade ao trabalho no programa.
Relatos que marcaram a apresentadora
Entre os depoimentos colhidos, dois se destacaram com força especial. O primeiro foi o de Duda Fournier, esposa do meia Lucas Paquetá, que revelou ter enfrentado crises de ansiedade, síndrome do pânico e depressão nos últimos anos.
O segundo foi o relato sobre os ataques sofridos pela família do zagueiro Marquinhos após a eliminação do Brasil diante da Croácia na Copa do Mundo de 2022, quando ele perdeu um pênalti decisivo.
Luciele também destacou pontos que considera essenciais para entender a pressão sobre essas famílias:
- A cobrança pública não recai apenas sobre o atleta, mas se estende a todos os parentes;
- O impacto emocional de uma derrota pode persistir por anos na vida familiar.
"Isso é muito pesado", opinou a apresentadora. Portanto, o programa expõe uma dimensão do futebol que raramente recebe atenção.
O programa transformou também a relação de Luciele com o esporte. Antes pouco interessada em futebol, ela passou a acompanhar jogos com mais frequência e a buscar entender os bastidores da vida dos atletas.
"É um mundo à parte que consegue unir muita gente. O Denilson assiste a jogos o dia todo", disse com bom humor.
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Além disso, a experiência reforçou seu desejo de investir em projetos voltados a histórias femininas que normalmente ficam distantes dos holofotes.
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