Três décadas após uma das maiores tragédias da música brasileira, um novo capítulo envolvendo a memória e o legado da banda que marcou os anos 1990 volta a chamar a atenção do país. O caso reacende lembranças, mobiliza fãs e reforça a importância histórica de um grupo que, mesmo com carreira passageira, deixou uma marca definitiva na cultura pop nacional.
Os corpos dos músicos Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, do Mamonas Assassinas, serão exumados, na nesta segunda-feira (23), cerca de 30 anos após o acidente aéreo que matou todos os integrantes do grupo, célebre pela sua irreverência, em março de 1996.
Os familiares autorizaram a cremação dos corpos, visando a criação de um memorial com cinco árvores, com mudas adubadas pelas cinzas dos músicos, em um jardim no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na Grande São Paulo —cidade onde os músicos moravam e onde foram sepultados.
"É um lindo projeto onde teremos um memorial dos Mamonas Assassinas, cheio de lembranças boas, com fotos. E cada árvore irá representar um artista", diz Jorge Santana, que é primo de Dinho e empresário hoje responsável pela marca dos Mamonas. "Motivo de muito orgulho."
O projeto será feito em parceria com o BioParque, empresa mineira que cria homenagens póstumas com as cinzas de entes queridos, depositadas numa urna biodegradável, para uso como substrato para o plantio de espécies nativas, como o ipê amarelo, jacarandá e sibipiruna.
"Será um espaço permanente de homenagem aos integrantes da banda, cuja trajetória marcou gerações e se confunde com a identidade cultural de Guarulhos", diz nota de divulgação do projeto.
O acidente com os Mamonas Assassinas ocorreu em 2 de março de 1996, quando a banda voltava de um show em Brasília e tentava pousar no aeroporto de Guarulhos. Ao se aproximar da pista, o piloto do Learjet decidiu arremeter e, em vez de fazer uma curva à direita, fez à esquerda. Com isso, o avião foi em direção à serra da Cantareira, onde se espatifou.
O acidente matou outras quatros pessoas —o segurança Sérgio Saturnino Porto, o ajudante de palco Isaac Souto, o piloto Jorge Germano Martins e o co-piloto Alberto Yoshihumi Takeda.
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O Mamonas Assassinas foi um dos maiores fenômenos da história da música popular brasileira. Seu primeiro e único disco, "Mamonas Assassinas", vendeu em poucos meses mais de 1,8 milhão de cópias, quantidade superior à alcançada por campeões de vendagem da época, como Xuxa e Roberto Carlos. Depois, o disco chegou a 3 milhões de cópias vendidas.
Donos de um estilo irreverente e apelando com frequência para palavrões e expressões maliciosas, os Mamonas conquistaram em poucos meses uma legião de fãs, formada principalmente por crianças e adolescentes.
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