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NO THEATRO DA PAZ

Festival de Pássaros e Bichos do Pará reúne 23 grupos em Belém

Quinta edição do evento gratuito acontece de 26 a 30 de junho, homenageia Julieta Malcher de Castro e destaca o trabalho de resgate dos pássaros juninos no Pará

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Imagem ilustrativa da notícia Festival de Pássaros e Bichos do Pará reúne 23 grupos em Belém camera Resgatado após anos longe das apresentações, o Tem-Tem de Curuçá é um dos destaques do V Festival de Pássaros e Bichos do Pará. | Divulgação

O Theatro da Paz será palco, entre os dias 26 e 30 de junho, de uma das mais importantes celebrações da cultura popular paraense. Com entrada gratuita, o V Festival de Pássaros e Bichos do Pará reunirá 23 grupos tradicionais vindos de diferentes municípios para apresentar ao público a riqueza dos Pássaros Juninos e dos Cordões de Bichos, manifestação artística considerada única no Brasil e existente apenas no Pará.

A abertura está marcada para esta sexta-feira (26), às 18h, quando todos os Porta-Pássaros e Porta-Bichos participarão de uma apresentação conjunta. Promovido pela Associação Folclórica e Cultural Colibri de Outeiro, com apoio do Governo do Pará, o festival chega à quinta edição consolidado como um dos principais espaços de valorização do patrimônio cultural imaterial paraense.

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TRADIÇÃO QUE NASCEU A PARTIR DO THEATRO DA PAZ

Inspirados nas óperas do Theatro da Paz, os Pássaros Juninos nasceram da criatividade do povo e se tornaram uma tradição exclusiva do Pará.
📷 Inspirados nas óperas do Theatro da Paz, os Pássaros Juninos nasceram da criatividade do povo e se tornaram uma tradição exclusiva do Pará. |Victor Ataíde/Pássaro Colibri

À frente da organização do festival está a Mestra Laurene Ataíde, guardiã do Cordão do Pássaro Colibri e uma das maiores referências na preservação dos Pássaros Juninos no estado. Segundo ela, essa manifestação representa um patrimônio exclusivamente paraense e sua origem está diretamente ligada ao próprio Theatro da Paz, durante o ciclo econômico da borracha. "É uma manifestação que só existe no estado do Pará", afirma.

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Laurene explica que, na época em que grandes companhias europeias apresentavam óperas em Belém, os barões da borracha frequentavam o teatro acompanhados de trabalhadores responsáveis por cuidar de suas famílias, especialmente vigiando suas filhas. Enquanto aguardavam na parte superior do prédio, conhecida como "Paraíso", esses trabalhadores observavam os espetáculos e passaram a reproduzir, de forma popular, elementos das encenações em suas comunidades.

"Foi assim que essa tradição começou a se espalhar pelo interior do estado. Por isso, os Pássaros Juninos não existem apenas em Belém, mas em diversas cidades do Pará", ressalta a mestra.

CULTURA QUE RESISTE AO TEMPO

O Cordão do Pássaro Colibri, um dos maiores símbolos da cultura popular paraense leva ao palco a beleza, o colorido e a tradição dos Pássaros Juninos. Guardião de uma manifestação que existe apenas no Pará, o grupo é protagonista do V Festival de Pássaros e Bichos do Pará.
📷 O Cordão do Pássaro Colibri, um dos maiores símbolos da cultura popular paraense leva ao palco a beleza, o colorido e a tradição dos Pássaros Juninos. Guardião de uma manifestação que existe apenas no Pará, o grupo é protagonista do V Festival de Pássaros e Bichos do Pará. |Victor Ataíde/Pássaro Colibri

Misturando teatro, música, dança, figurinos exuberantes e narrativas populares, os Pássaros Juninos e os Cordões de Bichos constituem uma das manifestações culturais mais originais da Amazônia.

Para Laurene, preservar essa tradição significa garantir que futuras gerações tenham contato com uma expressão artística que não existe em nenhuma outra parte do país. "É muito importante que a gente não deixe morrer essa manifestação, porque ela é nossa. Ela só existe no estado do Pará", destaca.

TRABALHO DE RESGATE EM VÁRIAS CIDADES

Além de coordenar o festival, Laurene desenvolve há anos projetos voltados ao resgate de grupos tradicionais que estavam desaparecidos. Entre os trabalhos realizados está a retomada da Garça Briosa, na comunidade Rio da Prata, em Abaetetuba, que voltou a se apresentar após 52 anos. Em Baião, ela coordenou o retorno do Pássaro Japiim, que permaneceu mais de três décadas sem brincar.

Outro exemplo ocorreu em Cachoeira do Arari, onde o Guaritauá voltou às apresentações depois de 40 anos de interrupção. A atuação da mestra também envolve a criação de novos grupos. Em Canaã dos Carajás, ela coordenou a implantação da Arara Azul, enquanto em Parauapebas criou a Arara Vermelha, que posteriormente passou a integrar a programação do Festival de Pássaros e Bichos e se apresentou no palco do Theatro da Paz.

GRUPOS RESGATADOS ESTARÃO NO FESTIVAL

Mais do que preservar a tradição, o resgate dos Pássaros Juninos devolve vida a grupos que passaram décadas sem se apresentar, mantendo viva uma manifestação cultural que existe apenas no Pará.
📷 Mais do que preservar a tradição, o resgate dos Pássaros Juninos devolve vida a grupos que passaram décadas sem se apresentar, mantendo viva uma manifestação cultural que existe apenas no Pará. |Reprodução/Instagram - @cordao_colibri

Diversos grupos que passaram pelo processo de resgate estarão presentes nesta edição. Entre eles estão o Pavãozinho do Pará e a Borboleta Encantada, de Abaetetuba; o Maçarico, de Salinópolis, que voltou às apresentações após cerca de 40 anos; o Tentém, de Curuçá; e a Borboleta Azul, de Carananduba, em Mosqueiro.

Segundo Laurene, a Borboleta Azul permaneceu 72 anos sem se apresentar e retornou graças ao trabalho de revitalização desenvolvido por sua equipe. O grupo abriu o festival em 2024 e voltará ao palco nesta edição.

HOMENAGEM À GUARDIÃ DO PÁSSARO ROUXINOL

O festival deste ano também presta homenagem à professora Julieta Malcher de Castro (1930-1985), considerada uma das maiores responsáveis pela valorização estética dos Pássaros Juninos.

Guardiã do Pássaro Junino Rouxinol, o grupo mais antigo ainda em atividade em Belém, Julieta dedicou cerca de 55 anos à manifestação cultural. Durante sua trajetória, introduziu figurinos sofisticados, bordados minuciosos, pedrarias e novas ornamentações que revolucionaram a estética dos espetáculos.

Sob sua liderança, o Rouxinol conquistou dez títulos consecutivos em concursos oficiais entre as décadas de 1960 e 1970 e alcançou projeção nacional, tornando-se referência para gerações de brincantes.

FESTIVAL ACONTECE APESAR DAS DIFICULDADES

Mesmo consolidado como um dos principais eventos dedicados aos Pássaros Juninos, o festival deste ano foi organizado sem patrocínio da iniciativa privada. "A realização só foi possível graças à parceria com o Governo do Estado, que cedeu o Theatro da Paz para receber as apresentações dos 23 grupos participantes", enfatiza Laurene.

Para a organizadora, ocupar um dos mais importantes espaços culturais do Pará representa um reconhecimento da força da cultura comunitária e do papel desempenhado pelos mestres e brincantes na preservação das tradições populares.

CINCO EDIÇÕES FORTALECENDO A CULTURA POPULAR

A primeira edição do Festival de Pássaros e Bichos aconteceu em 2016, no Teatro Gasômetro. Depois, o evento passou pelo Teatro Margarida Schivasappa e, nas últimas edições, fixou residência no Theatro da Paz.

Agora, em sua quinta edição, o encontro reafirma seu objetivo de fortalecer uma manifestação cultural genuinamente paraense, reunindo grupos da capital e do interior em um mesmo palco.

"O maior número de brincadeiras de pássaros está em Belém, mas eles vivem em várias regiões do estado. Cada grupo que conseguimos resgatar representa uma parte da nossa história que continua viva", conclui a Mestra Laurene Ataíde.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL:

SERVIÇO

  • V Festival de Pássaros e Bichos do Pará
  • Data: 26 a 30 de junho de 2026
  • Abertura: sexta-feira (26), às 18h
  • Local: Theatro da Paz, em Belém
  • Entrada: gratuita
  • Classificação: livre para todos os públicos.
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