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EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Mãe e filho lançam biografia com memórias da ditadura militar

Uma biografia que une luta, amor e memória na resistência à ditadura

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Imagem ilustrativa da notícia Mãe e filho lançam biografia com memórias da ditadura militar camera Descubra a história de Hecilda e Paulinho | Natália Costa

Entre memórias e resistência, histórias pessoais ajudam a iluminar períodos marcantes da vida política do país. Narrativas que atravessam gerações revelam não apenas vivências individuais, mas também os caminhos de luta por direitos e democracia no Brasil.

A história política brasileira reescrita através de uma história familiar. Carregada em tintas de luta, resiliência e sensibilidade. Assim é “Filhos dessa raça: mãe e filho unidos na luta contra a ditadura”, a biografia dupla da militante Hecilda Veiga e de seu filho, o ex-vereador e ativista de direitos humanos, Paulinho Fonteles. A obra será lançada no dia 01 de abril, no auditório Benedito Nunes, na UFPA, pela Imprensa Oficial do Estado (IOEPA), por meio de sua Editora Pública Dalcídio Jurandir.

Com 300 páginas, a biografia escrita pelo jornalista e escritor Ismael Machado acompanha o percurso de mãe e filho atravessado por duas dimensões centrais da história brasileira: a violência da ditadura militar e a longa luta pela memória, pelos direitos humanos e pela justiça social na Amazônia.

Um nascimento sob o cárcere

No início dos anos 70, no auge da repressão política, Hecilda Veiga, então jovem militante e estudante universitária, foi presa pelos órgãos de segurança do regime. Grávida, ela enfrentou interrogatórios violentos, durante os quais ouvia uma frase que retratava o ódio político daquele momento: “filho dessa raça não deve nascer”. A frase mórbida dá título à biografia da mãe que deu luz ao filho em plena prisão: Paulinho Fonteles.

Filho do ex-deputado Paulo Fonteles, atuante na defesa dos trabalhadores rurais, assassinado em 1987, vítima de um crime político ligado aos conflitos pela terra, Paulinho Fonteles viria a se tornar escritor, poeta, membro do PCdoB e presidente do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos.

Memória traduzida em letras

Depois da prisão, Hecilda Veiga reconstruiu sua vida sem abandonar a militância. Como socióloga, professora universitária e ativista de direitos humanos, ela se tornou uma das vozes importantes na defesa da memória das vítimas da ditadura e na denúncia da violência política na Amazônia, como uma das fundadoras da Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos -Pará.

Vítima de um infarte fulminante, Paulinho Fonteles morreu em 2017, aos 45 anos de idade, como referência na luta por direitos humanos na Amazônia. Hoje, o legado de mãe e filho é recuperado na dupla biografia que, entre pesquisas, entrevistas e escrita, levou seis anos para ser concluído.

“A Imprensa Oficial do Estado tem cumprido, nos últimos anos, por intermédio da editora pública Dalcídio Jurandir, um papel fundamental para a literatura paraense. Primeiro por disponibilizar autores e autoras locais que estavam fora de catálogo e ganharam edições caprichadas, como Benedito Monteiro, por exemplo. Segundo, por viabilizar publicações que lidam com nossa história e memória. No caso desse livro, ela abraçou totalmente o projeto, justamente por entender que esse tipo de livro supre algumas lacunas a respeito de personagens da nossa história contemporânea”, destaca Ismael Machado, autor da biografia.

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“O lançamento desse livro, pela IOEPA, é mais do que uma obrigação. É um libelo à luta do nosso povo, e uma declaração de amor à democracia. E o Brasil precisa firmar, cada vez mais, essa luta. Hecilda Veiga e seu filho, Paulinho Fonteles, que resistiram bravamente à ditadura, mostram, também, uma declaração de amor à vida, traduzida com muita sensibilidade pelo escritor Ismael Machado”, pontua Jorge Panzera, presidente da Imprensa Oficial do Estado ( Ioepa)

Carregando um corpo franzino, Hecilda Veiga, a heroína cuja história de resiliência foi retratada no livro, traz uma fortaleza no olhar. Ela considera o lançamento do livro fundamental, além da emoção em ler sua saga transformada em lição de vida. “Que responsabilidade ter minha vida retratada neste livro! Ele traz uma experiência muito dolorosa, que custou muitas vidas humanas e dificuldades. Espero que ele sirva de alerta para que aquele período sombrio não volte a acontecer de forma alguma. A luta continua! Na política e na vida”, brada Hecilda Veiga.

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