
Moradores do Condomínio Alphaville, localizado no Ramal do Itaiteua, em Outeiro, distrito de Belém, se assustaram após um raio atingir o para-raios do conjunto na noite de terça-feira (26).
O incidente, que aconteceu mesmo sem chuva no momento da descarga elétrica, reforça a importância das medidas de proteção contra raios na região amazônica. O episódio em Outeiro ganha ainda mais relevância quando analisado no contexto nacional: o Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo, registrando uma média de 118 milhões de descargas atmosféricas por ano, sendo o Pará o segundo estado com maior número de ocorrências.
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Segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 2018 e 2022 foram registradas 590 milhões de descargas atmosféricas no Brasil.
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No ranking por estados com maior número absoluto de ocorrências de raios, o Pará ocupa a segunda posição, atrás apenas do Amazonas. Confira:
- Amazonas;
- Pará;
- Mato Grosso;
- Minas Gerais;
- Mato Grosso do Sul.
Características regionais favorecem atividade elétrica
O caso registrado em Outeiro exemplifica a realidade da região amazônica, onde a alta umidade do ar favorece ainda mais a formação da atividade elétrica atmosférica.
Os raios podem acontecer mesmo sem precipitação no local, como observado pelos moradores do Alphaville, sendo gerados pela formação de nuvens cumulonimbus características da região tropical.
Importância dos para-raios
O fato de o raio ter atingido especificamente o para-raios do condomínio demonstra a eficácia deste sistema de proteção.
O equipamento funcionou exatamente como projetado, captando a descarga elétrica e direcionando-a com segurança para o solo, protegendo as edificações e os moradores.
Perfil nacional dos acidentes com raios
Os dados nacionais revelam a gravidade do problema: anualmente os raios provocam cerca de 110 mortes no Brasil e ferimentos em mais de 200 pessoas. O perfil das vítimas entre 2018 e 2022 mostra as características das vítimas:
- 82% são homens;
- 24% têm entre 20 e 29 anos;
- 20% têm entre 10 e 19 anos.
Já as principais circunstâncias dos acidentes são:
- 26% durante atividades em área rural;
- 21% dentro de casa (uso de telefone, aparelhos na tomada, proximidade de portas e janelas);
- 9% em locais próximos a corpos d'água.
Medidas de proteção recomendadas
O Instituto Tecnológico Vale (ITV) elaborou cartilha com recomendações essenciais de segurança contra raios:
Durante tempestades:
- Não ficar exposto ao ar livre;
- Manter-se afastado de equipamentos que atraem descargas;
- Evitar abrigo embaixo de árvores;
- Interromper atividades ao ar livre temporariamente.
Dentro de imóveis:
- Manter distância de redes elétricas, telefônicas e hidráulicas;
- Afastar-se de portas e janelas metálicas;
- Evitar uso de telefone e aparelhos conectados à tomada;
Atividades de alto risco:
- Trabalhos em telhados e campos abertos;
- Pastoreio de animais;
- Esportes em terrenos abertos;
- Atividades próximas a corpos d'água.
Impacto das mudanças climáticas na Amazônia
Os pesquisadores alertam que as mudanças climáticas podem intensificar ainda mais a incidência de raios na região amazônica. Projeções do Inpe indicam que entre 2081 e 2100, o Brasil poderá registrar até 100 milhões de descargas elétricas por ano que atingem o solo, comparado aos atuais 77,8 milhões.
A alta umidade característica da Amazônia, combinada com o aumento da temperatura global, cria condições ainda mais favoráveis para a formação de tempestades e, consequentemente, mais descargas elétricas na região.
Setores econômicos vulneráveis no Pará
O estado do Pará, com sua economia baseada em atividades como mineração, agricultura e pecuária, está entre os que mais sofrem prejuízos milionários anuais causados por descargas elétricas.
Setores como portos, ferrovias e construção civil também são altamente vulneráveis aos impactos dos raios.
Confira o raio que atingiu Outeiro:
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