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DOENÇAS CRÔNICAS

Diarreia recorrente pode ser sinal de doença inflamatória intestinal

Doença inflamatória intestinal, como Crohn e retocolite ulcerativa, pode provocar dor, sangue nas fezes, perda de peso e passar meses ou anos sem diagnóstico.

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Imagem ilustrativa da notícia Diarreia recorrente pode ser sinal de doença inflamatória intestinal camera Diarreia que persiste ou volta com frequência pode ser mais do que um problema alimentar. A doença inflamatória intestinal (DII), que inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, também pode provocar dor abdominal, sangue ou muco nas fezes, perda de peso e cansaço. | Reprodução/Magnific - jcomp

A Doença Inflamatória Intestinal (DII) pode estar por trás de quadros de diarreia que persistem ou retornam com frequência, principalmente quando aparecem acompanhados de dor abdominal, sangue ou muco nas fezes, perda de peso e cansaço. O grupo reúne duas doenças crônicas, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que provocam inflamação no intestino e podem permanecer sem diagnóstico durante meses ou até anos.

Estima-se que mais de 100 mil brasileiros convivam com alguma forma de DII, segundo dados de associações de pacientes e do Ministério da Saúde. O número pode ser ainda maior, já que os registros oficiais concentram principalmente pessoas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que estão em tratamento medicamentoso.

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CROHN E RETOCOLITE TÊM DIFERENÇAS

Embora compartilhem diversos sintomas, as duas doenças apresentam características distintas. A doença de Crohn representa mais de 50% dos casos, conforme pesquisa da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD). Ela pode afetar qualquer parte do sistema digestivo, da boca ao ânus, e comprometer todas as camadas da parede intestinal.

Uma característica da doença é que as áreas inflamadas podem surgir intercaladas com trechos saudáveis do intestino, formando o chamado padrão salteado. Com a evolução do quadro, podem aparecer complicações como estenoses, que provocam o estreitamento do intestino, e fístulas, conexões anormais entre partes do órgão ou entre o intestino e outras estruturas.

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Já a retocolite ulcerativa responde por mais de 35% dos casos e fica limitada ao intestino grosso. Diferentemente do Crohn, a inflamação costuma ocorrer de forma contínua, sem os intervalos de tecido saudável.

SINTOMAS PODEM SER CONFUNDIDOS COM PROBLEMAS ALIMENTARES

Apesar das diferenças entre as doenças, os sinais iniciais podem ser bastante parecidos. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • diarreia recorrente;
  • cólicas;
  • dor abdominal;
  • muco ou sangue nas fezes;
  • perda de peso;
  • redução do apetite;
  • cansaço e fadiga.

O problema é que uma diarreia isolada geralmente está relacionada a causas simples e passageiras. O alerta aumenta quando os episódios persistem, voltam repetidamente ou aparecem acompanhados de sangue ou muco.

Também é comum que a própria pessoa tente relacionar os sintomas a algum alimento e passe a retirar da dieta itens como leite, lactose ou glúten. Porém, a presença persistente dos sintomas exige investigação médica, já que a causa pode estar relacionada a uma doença inflamatória intestinal ou a outras condições.

QUANDO PROCURAR UM MÉDICO?

Diarreia por mais de três dias, episódios que se repetem ou a presença de sangue e muco nas fezes são sinais que justificam avaliação com um gastroenterologista ou coloproctologista.

A investigação pode envolver exames de sangue e fezes, colonoscopia e, conforme a situação clínica, exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética do abdome.

Identificar a doença precocemente é importante não apenas para controlar os sintomas, mas também para evitar que a inflamação provoque complicações e comprometa a rotina do paciente.

DOENÇA PODE AFETAR VIDA SOCIAL E PROFISSIONAL

As crises de DII podem ultrapassar os efeitos físicos e interferir diretamente na vida cotidiana. Em períodos de atividade da doença, alguns pacientes com retocolite ulcerativa podem precisar ir ao banheiro quatro a oito vezes por dia, muitas vezes acompanhando as evacuações de dor e sangramento.

A frequência e a imprevisibilidade dos sintomas podem levar algumas pessoas a restringir atividades sociais e profissionais. O receio de não encontrar um banheiro disponível também pode provocar medo de sair de casa e preocupação constante.

QUJEM PODE DESENVOLVER A DII?

A doença inflamatória intestinal pode surgir em diferentes fases da vida, mas o grupo mais atingido, segundo o estudo da ABCD, está entre 25 e 54 anos. Homens e mulheres aparecem em proporções semelhantes entre os pacientes. Além disso, crianças e idosos também podem desenvolver a doença.

Ainda não existe uma causa única definida para a DII. Pesquisas apontam para uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Entre as hipóteses investigadas estão a exposição à poluição e uma alimentação com grande quantidade de produtos ultraprocessados.

Estudos também analisam possíveis relações entre o desenvolvimento dessas doenças e o uso de antibióticos durante a primeira infância, além de períodos mais curtos de aleitamento materno. Esses fatores podem interferir na flora intestinal, que exerce papel de proteção e está relacionada ao funcionamento do sistema imunológico.

TRATAMENTO BUSCA CONTROLE DA INFLAMAÇÃO

O tratamento da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa apresenta estratégias semelhantes, mas é definido individualmente de acordo com a gravidade, o estágio da doença e as condições de cada paciente.

Corticoides podem ser utilizados por períodos curtos para controlar crises. Para a manutenção do controle da doença, podem ser indicados anti-inflamatórios, imunossupressores e medicamentos biológicos.

Quando surgem complicações, como estenoses e fístulas, a cirurgia pode ser necessária.

MESMO SEM SINTOMAS, ACOMPANHAMENTO CONTINUA

Um dos pontos importantes do tratamento é que o desaparecimento dos sintomas não significa necessariamente que a doença deixou de existir.

Durante os períodos de remissão, quando as manifestações clínicas diminuem ou desaparecem, o paciente deve manter o acompanhamento médico e seguir a terapia prescrita.

O objetivo é manter a inflamação sob controle, diminuir a ocorrência de novas crises e reduzir a possibilidade de complicações provocadas pela evolução da doença.

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