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Administradora faz diagnóstico da recuperação judicial do Paysandu

Relatório mostra que clube ampliou faturamento entre fevereiro e abril de 2026, mas ainda enfrenta passivo elevado e desafios para equilibrar as contas.

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Imagem ilustrativa da notícia Administradora faz diagnóstico da recuperação judicial do Paysandu camera Paysandu teve seu pedido de recuperação judicial deferido em fevereiro de 2026. | Jorge Luís Totti/Paysandu

O processo de Recuperação Judicial do Paysandu Sport Club começa a apresentar os primeiros sinais de reorganização financeira, mas ainda está longe de eliminar os desafios acumulados ao longo dos últimos anos. É o que mostra o Relatório Mensal de Atividades (RMA), elaborado pela administradora judicial nomeada pelo Poder Judiciário, referente aos meses de fevereiro, março e abril de 2026.

Obtido pelo DOL em primeira mão, o documento funciona como um verdadeiro "raio-X" da situação financeira do clube, revelando uma combinação de indicadores positivos e pontos de atenção. De um lado, o Paysandu registrou crescimento expressivo das receitas, aumento do caixa e melhora gradual dos índices de liquidez. Do outro, ainda convive com um passivo elevado, predominância de dívidas de curto prazo e fragilidades no controle do patrimônio.

CONTEÚDOS RELACIONADOS

Receita cresce quase 72%

O principal destaque do relatório é a evolução das receitas. Em fevereiro, o faturamento do Paysandu foi de R$ 5,47 milhões. Em março, saltou para R$ 8,49 milhões. Já em abril, atingiu R$ 9,41 milhões.

No acumulado do trimestre, o clube arrecadou R$ 23,37 milhões, representando crescimento de aproximadamente 72% entre o início e o fim do período analisado.

Segundo a administradora judicial, o aumento ocorreu principalmente pela expansão das chamadas "Outras Receitas", categoria que cresceu quase 271% apenas em abril e passou a representar mais de 37% da receita bruta daquele mês.

Além dessa rubrica, o faturamento é formado por receitas provenientes de: patrocínios; sócio-torcedor; royalties e licenciamento da marca; premiações esportivas; aluguéis; e exploração comercial.

Um outro ponto importante foi a melhora das disponibilidades financeiras. O dinheiro disponível em caixa aumentou de aproximadamente R$ 1,7 milhão para R$ 6,4 milhões entre fevereiro e abril.

O desempenho demonstra que o clube conseguiu ampliar significativamente sua capacidade de geração de recursos durante o processo de recuperação.

Liquidez melhora mês a mês

Outro indicador que reforça o avanço gradual da recuperação financeira do Paysandu é a evolução dos índices de liquidez, utilizados para medir a capacidade da instituição de honrar seus compromissos financeiros.

Em todos os indicadores acompanhados pela administradora judicial, houve melhora entre fevereiro e abril de 2026, resultado impulsionado principalmente pelo crescimento das receitas e pelo aumento das disponibilidades em caixa.

A Liquidez Corrente (indicador que compara os recursos disponíveis para pagamento das obrigações de curto prazo) passou de 0,37 em fevereiro para 0,43 em abril. Embora ainda esteja abaixo de 1, patamar considerado ideal pela literatura contábil, a evolução demonstra um fortalecimento gradual da capacidade financeira do clube.

Também houve avanço na Liquidez Imediata, que mede quanto o clube consegue pagar utilizando apenas o dinheiro disponível em caixa e aplicações financeiras de curto prazo. O índice saltou de 0,04 para 0,14 em apenas três meses, refletindo o crescimento das disponibilidades financeiras, que passaram de aproximadamente R$ 1,7 milhão para R$ 6,4 milhões no período.

A Liquidez Seca, que desconsidera os estoques e analisa apenas os ativos de maior facilidade de conversão em dinheiro, evoluiu de 0,34 para 0,39. Já a Liquidez Geral, responsável por medir a capacidade de pagamento considerando todas as obrigações, de curto e longo prazo, aumentou de 0,26 para 0,30.

De forma simples, a liquidez responde à seguinte pergunta: "Se todos os credores cobrassem suas dívidas hoje, o clube teria dinheiro suficiente para pagar?" No caso do Paysandu, a resposta ainda é não, mas a situação está melhorando, segundo o relatório. O aumento das receitas permitiu reforçar o caixa, fazendo com que a distância entre o dinheiro disponível e as obrigações diminuísse ao longo do trimestre.

Apesar da evolução, a administradora judicial ressalta que todos os indicadores permanecem abaixo da unidade. Na prática, isso significa que, contabilmente, o Paysandu ainda não possui ativos suficientes para quitar imediatamente todas as suas obrigações caso elas vencessem ao mesmo tempo.

Porém, segundo a administradora, o clube apresenta sinais de fortalecimento da sua capacidade de honrar compromissos, um dos principais objetivos do processo de reestruturação financeira.

Diagnóstico das dívidas e custos

Apesar da melhora nas receitas e na geração de caixa, o relatório mostra que o principal desafio do Paysandu continua sendo o elevado endividamento. Em abril de 2026, o passivo total do clube alcançou R$ 111,55 milhões, valor que engloba todas as obrigações financeiras, como dívidas trabalhistas, impostos, fornecedores, parcelamentos e outros compromissos. Já as dívidas diretamente incluídas no processo de Recuperação Judicial somam R$ 18,89 milhões, distribuídas entre credores trabalhistas, quirografários e micro e pequenas empresas.

A administradora judicial chama atenção para o perfil desse endividamento: cerca de 70% das obrigações estão concentradas no curto prazo, exigindo geração constante de caixa para evitar novos atrasos. Entre os débitos, destacam-se as obrigações trabalhistas, que totalizam R$ 27,74 milhões.

Para manter suas operações, o Paysandu registrou R$ 6,88 milhões em despesas operacionais apenas em abril. Os maiores desembolsos foram com a folha de pagamento (R$ 1,82 milhão) e as despesas administrativas (R$ 1,26 milhão), além de gastos com materiais esportivos, atendimento médico e manutenção das atividades. No fluxo de caixa, os pagamentos efetivamente realizados no mês somaram R$ 2,29 milhões.

O relatório também apresenta um retrato do patrimônio do clube. O ativo total fechou abril em R$ 111,55 milhões, dos quais R$ 86,45 milhões correspondem ao ativo imobilizado, formado por estádio, centro de treinamento e outros bens permanentes. No entanto, a administradora judicial faz um alerta sobre fragilidades no controle patrimonial, afirmando que ainda não é possível assegurar que todos os bens registrados contabilmente correspondam integralmente à realidade física.

Mesmo assim, o Patrimônio Líquido apresentou evolução positiva e alcançou R$ 44,75 milhões ao final de abril. A melhora foi impulsionada pela redução do saldo negativo do Patrimônio Social e pelo superávit operacional de R$ 1,22 milhão registrado no mês, indicando que os resultados das operações começam a contribuir para a recuperação gradual da situação financeira do clube.

O que mostram os números?

Embora o passivo ainda seja elevado, o diagnóstico da administradora judicial aponta que o Paysandu vive um momento de reorganização financeira.

O crescimento das receitas, o fortalecimento do caixa, a melhora dos índices de liquidez e a evolução do patrimônio líquido indicam avanços importantes desde o início da Recuperação Judicial.

Por outro lado, o clube ainda convive com um volume expressivo de dívidas, especialmente de curto prazo, além da necessidade de aprimorar seus controles patrimoniais e manter a disciplina financeira para sustentar o processo de recuperação.

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