Não foi apenas uma derrota. Foi um 7 a 0 que entra para a história! Na noite da última quinta-feira (9), o Paysandu foi atropelado pelo Nacional-AM, pela terceira rodada da Copa Norte. Dos 18 jogadores que viajaram, 13 eram das categorias de base. Dos 11 titulares, apenas dois não vieram da base e o que parecia uma noite de oportunidade virou uma noite de constrangimento.
''Vergonha, desgraça, humilhação para toda uma raça''. O verso da música Um de Nós, do filme O Rei Leão II: O Reino de Simba, traduz o sentimento que tomou conta da Fiel Bicolor após a humilhação e constrangimento na Arena da Amazônia. Um coro de condenação coletiva que, independentemente das circunstâncias, já entrou para a história do clube.
Pressão desnecessária
O cenário era positivo. Campeão paraense, classificado à quinta fase da Copa do Brasil e estreia com vitória na Série C do Campeonato Brasileiro. O elenco vinha sendo bem administrado pelo técnico Júnior Rocha, com mescla equilibrada entre base e profissionais.
De forma abrupta, a comissão técnica e a diretoria optam por enviar praticamente um time sub-20 para um jogo oficial. O resultado não é apenas uma derrota: é um placar histórico que gera pressão desnecessária sobre um trabalho que vinha sendo bem conduzido. A temporada tinha estabilidade. O erro no planejamento quebrou essa linha.

Desrespeito à camisa
A história não fará rodapé explicativo. Quando, no futuro, alguém consultar os registros da competição, estará lá: Nacional-AM 7 x 0 Paysandu. Não haverá observação dizendo que era um time majoritariamente formado por garotos. O escudo era o mesmo.
A camisa era a mesma. A responsabilidade também deveria ser. Era competição oficial. Era jogo profissional. Era o Paysandu em campo. A história não vai contar que era a base, vai contar o placar.
Não havia asterisco na súmula, nem observação explicativa ao lado do escudo. A camisa que entrou na Arena da Amazônia é a mesma que carrega títulos, tradição e o peso de ser o clube mais vitorioso do Norte.
No registro oficial, não constará que 13 atletas eram das categorias de base ou que a delegação foi alternativa. Quando alguém revisitar os arquivos da Copa Norte ou o histórico de confronto entre os clubes, encontrará apenas uma linha fria, objetiva e implacável: o resultado. E ele dirá 7 a 0.

Queimou a base?
Colocar 13 jovens em um jogo profissional desse porte é mais do que ousadia: é risco. Uma derrota por 7 a 0 não atinge apenas o elenco principal. Ela pode marcar trajetórias individuais ainda em formação. Queimar talentos ao mesmo tempo revela irresponsabilidade no planejamento esportivo.

Planejamento falho
O clube vive processo de reorganização financeira herdado de gestões anteriores. O presidente Márcio Tuma tenta ajustar a casa. O técnico Júnior Rocha vinha acertando na condução do grupo, mas poupar titulares e também reservas em bloco foi um erro coletivo.
Entram cinco jogadores por partida. Era possível mesclar parte dos reservas com os garotos. Não era necessário expor quase toda a base de uma vez. O bom trabalho da temporada não desaparece. Mas esse é, até aqui (pode piorar?), o primeiro grande erro estratégico do ano.

Integração não é exposição
Até a noite do vexame, a temporada do Paysandu era sólida. Na Série C, vitória na estreia fora de casa. Na Copa do Brasil, duas partidas, duas classificações e seis gols marcados. No Campeonato Paraense, campanha consistente em 10 jogos, com seis vitórias e título confirmado. Em 15 partidas no ano, eram 10 vitórias, apenas três derrotas e 11 gols sofridos.
O estadual, inclusive, foi conquistado com participação ativa da base. Pedro Henrique foi titular nas decisões. Luccão, Henrico (base da Tuna), Brian, tiveram papel relevante ao longo da campanha. A política de integração entre jovens e profissionais vinha funcionando dentro de um contexto controlado.
A derrota não apaga o que foi construído até aqui. Não apaga o título, nem a competitividade demonstrada nas demais competições. Porém, deixa uma lição clara: planejamento não pode ser improviso. Porque quando a camisa entra em campo, entra a história junto. E ela é implacável!

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