Três anos após o episódio que paralisou o Norte de Mato Grosso, a Polícia Civil desferiu um golpe decisivo contra a estrutura que planejou o assalto à transportadora de valores em Confresa. Em uma ação coordenada entre as forças de segurança de Mato Grosso e do Pará, a terceira fase da "Operação Pentágono" resultou na captura de Pablo Henrique de Sousa Franco nesta quarta-feira (8), em Marabá no sudeste paraense.
Apontado como peça-chave na logística e na articulação intelectual do crime, Pablo era o elo que conectava o planejamento estratégico ao campo de batalha.
A ofensiva policial não se restringiu a um único alvo. Ao todo, foram cumpridas 97 ordens judiciais expedidas pela Terceira Vara Criminal de Barra do Garças, incluindo 27 mandados de prisão, 30 de busca e apreensão e o bloqueio de 40 contas bancárias.
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Em Marabá, além de Pablo, os agentes prenderam Josivan Pereira da Silva, também investigado por envolvimento com a organização criminosa, embora sua função específica no organograma do grupo ainda esteja sob sigilo.
O rastro do crime: de Redenção ao terror em Confresa
Conforme os autos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Pablo Henrique não estava na linha de frente disparando fuzis, mas sua atuação foi descrita como fundamental para o "sucesso" da invasão.
Baseado em Redenção (PA), ele teria providenciado o suporte necessário para que o bando atravessasse divisas estaduais e executasse a modalidade criminosa conhecida como "domínio de cidades" ou "novo cangaço".
A decisão judicial que fundamenta sua prisão destaca que provas técnico-periciais e confissões extrajudiciais confirmam que o acusado se agremiou de forma estruturalmente ordenada para fornecer apoio material à quadrilha. "Trata-se de um verdadeiro coautor", aponta o documento.

Embora tenha sido absolvido de crimes secundários, como os incêndios provocados durante a fuga, sua condenação por organização criminosa e roubo majorado foi mantida devido à gravidade do impacto social causado em 2023.
Engrenagem do crime organizado
As investigações revelaram que a facção possuía uma divisão de tarefas quase empresarial, operando através de seis núcleos distintos:
- Comando Financeiro: Gestão dos recursos para financiar o armamento.
- Planejamento Logístico: Onde Pablo atuava, garantindo rotas e suprimentos.
- Execução: O grupo de choque que invadiu a cidade.
- Bases de Apoio: Unidades distribuídas no Pará e Tocantins.
- Locação de Veículos: Núcleo exclusivo para garantir a mobilidade e fuga dos criminosos.

O assalto em Confresa é lembrado pelo uso de explosivos de alto impacto e pela tática cruel de utilizar moradores como escudos humanos. Para a Justiça, o terror psicológico imposto à população local foi fator determinante para a elevação da pena-base do réu. "As chagas psicológicas em um pequeno município constituem fundamento idôneo para o rigor da punição", concluiu a Terceira Câmara Criminal.
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