plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 23°
cotação atual R$


home
MEIO AMBIENTE

MPF aponta falhas em plano contra uso de mercúrio no garimpo

Órgão cobra revisão do governo federal, alerta para contrabando do metal e pede proteção ostensiva às terras indígenas

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia MPF aponta falhas em plano contra uso de mercúrio no garimpo camera Imagem de satélite exibe vastas clareiras abertas pelo garimpo ilegal na floresta amazônica, área que concentra mais de 90% da atividade no país. | Reprodução/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ao governo federal uma nota técnica com duras críticas à minuta do Plano de Ação Nacional para a Mineração Artesanal e em Pequena Escala de Ouro (PAN-Mape).

O documento, elaborado pelo procurador André Luiz Porreca, titular do 6º Ofício de Combate ao Garimpo Ilegal, aponta falhas graves na proposta e pede sua imediata revisão. De acordo com o órgão, o texto atual descumpre compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na Convenção de Minamata, criada para erradicar o uso do mercúrio na atividade extrativa.

A principal inconsistência apontada é o critério para enquadrar a pequena mineração. A minuta baseia-se exclusivamente na posse da Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), ignorando o porte econômico das operações. O MPF alerta que titulares dessas licenças movimentaram mais de R$ 250 milhões em 2025.

Veja também:

Sem a definição de limites financeiros objetivos, incentivos públicos e fundos para transição tecnológica correm o risco de subsidiar grandes empreendimentos sob o pretexto de apoio a garimpeiros artesanais.

Outro ponto cego do plano governamental é a suposição de que existe um estoque legal de mercúrio no país. O Ibama confirma que não ocorre importação legal da substância e nem há empresas habilitadas para seu comércio no garimpo desde 2018.

Estudos indicam que cerca de 185 toneladas de origem desconhecida abasteceram o setor em anos recentes, impulsionadas pelo contrabando via Bolívia, Peru e Guiana. Ao ignorar esse mercado ilícito, a minuta deixa de atacar a principal fonte de abastecimento do metal tóxico.

O relatório adverte ainda para a desproteção dos territórios tradicionais. A proposta limita ações ambientais às áreas passíveis de regularização, tratando terras indígenas e unidades de conservação apenas como caso de polícia. No entanto, levantamentos mostram que 39% da área garimpada está dentro dessas reservas. Além disso, a elaboração da minuta violou a Convenção 169 da OIT ao ignorar a consulta prévia às populações afetadas.

Para corrigir o projeto, o MPF defende a atualização dos inventários de emissão, a revogação de normas defasadas de 1989 e a criação de um programa para devolução voluntária do metal. A 4ª Câmara do MPF avisou que recorrerá à Justiça caso o texto final não sane tais irregularidades.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Pará

    Leia mais notícias de Pará. Clique aqui!