A arqueologia bíblica acaba de ganhar um novo e fundamental capítulo. Pesquisadores e cientistas dedicados ao estudo de manuscritos antigos anunciaram a recuperação de mais de 40 páginas pertencentes a uma versão primitiva do Novo Testamento.
O material, que estava "escondido" sob camadas de textos mais recentes, foi identificado graças ao uso de tecnologias de ponta, como a fotografia com luz ultravioleta e a imagem multiespectral, que permitem visualizar tintas e sulcos apagados há séculos.
A descoberta ocorreu no contexto do estudo de palimpsestos — pergaminhos que, devido à escassez de material na Idade Média, eram raspados para que novas obras fossem escritas por cima.
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Neste caso específico, o texto original, datado do século VI, continha trechos das cartas de São Paulo e partes dos Evangelhos. No século XIII, monges de um mosteiro grego reutilizaram as folhas para registrar tratados teológicos e hinos, selando o conteúdo original no que se acreditava ser um desaparecimento definitivo.
O resgate do invisível
O trabalho de recuperação foi liderado por especialistas da Academia Austríaca de Ciências e da Universidade de Glasgow. A técnica utilizada funciona ao detectar a fluorescência residual da tinta original que penetrou nas fibras do couro. "O que parece uma página comum de um livro medieval, sob a luz correta, revela uma rede complexa de letras em grego antigo e siríaco", explicam os pesquisadores.

Essas páginas são consideradas cruciais para entender a transmissão dos textos bíblicos. Diferente de versões posteriores que sofreram edições e adaptações linguísticas, esses fragmentos oferecem uma visão mais próxima das tradições cristãs primitivas.
A análise preliminar indica que o texto recuperado apresenta variações sutis em relação ao "Codex Sinaiticus", uma das Bíblias mais antigas do mundo, o que pode lançar luz sobre como as doutrinas eram interpretadas e copiadas nos primeiros séculos da era comum.
Patrimônio da humanidade
A recuperação das páginas não apenas preenche lacunas históricas, mas também reafirma o papel da tecnologia na preservação do patrimônio documental. Agora, a equipe trabalha na digitalização em alta definição para que estudiosos do mundo inteiro possam acessar o conteúdo.
O achado é comparado, em relevância acadêmica, à descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, embora foque em um período posterior da formação do cânone cristão.
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