Uma investigação jornalística conduzida pelo jornal britânico The Sunday Times revelou que acessórios comercializados como "prata 925" em grandes plataformas de e-commerce, como Amazon e TikTok Shop, contêm níveis ilegais de cádmio. A substância é classificada pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) como um agente altamente tóxico e cancerígeno (Grupo 1), sendo associada ao desenvolvimento de doenças graves no fígado, problemas renais e osteoporose.
Durante a apuração, amostras de anéis e pulseiras vendidas nessas plataformas foram adquiridas e submetidas a testes de pureza no laboratório Birmingham Assay Office, no Reino Unido. Uma das peças anunciadas na Amazon como anel de prata apresentou 92,3% de sua composição formada por cádmio. Já no TikTok Shop, uma pulseira comercializada pela loja Perform Pearls continha 33% do elemento químico em sua estrutura.
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Em resposta às denúncias, o TikTok Shop anunciou a realização de um recall das pulseiras afetadas, a remoção do vendedor do catálogo e o envio de notificações de alerta a todos os consumidores que adquiriram o item. A Amazon, por sua vez, informou ter iniciado uma investigação interna e o processo de retirada dos produtos denunciados de suas vitrines virtuais, reafirmando que exige dos vendedores o cumprimento rigoroso das legislações vigentes.
O caso reacende o alerta sobre a fiscalização de produtos importados no Brasil. Diferente de países que adotam limites máximos rigorosos para o uso de metais pesados em joias e bijuterias, o mercado nacional ainda carece de uma regulamentação específica que restrinja a concentração de cádmio nesses artigos, permitindo que peças com potencial de risco à saúde circulem sem o devido controle alfandegário.
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