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RELIGIÃO

Igreja celebra a história de Inácio de Azevedo

Jesuíta português e seus 39 companheiros foram martirizados em alto-mar durante viagem missionária rumo ao Brasil.

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Imagem ilustrativa da notícia Igreja celebra a história de Inácio de Azevedo camera Jesuíta português e seus 39 companheiros foram martirizados em alto-mar durante viagem missionária rumo ao Brasil. | Reprodução

A liturgia da Igreja Católica dedica o dia 17 de julho à memória do Beato Inácio de Azevedo e de seus companheiros de missão, conhecidos historicamente como os Mártires do Brasil. O grupo de religiosos foi interceptado e morto por corsários franceses em 1570, em uma trajetória marcada pela herança de evangelização no período colonial.

Da nobreza europeia ao serviço religioso

Nascido na cidade do Porto, em Portugal, no ano de 1527, Inácio de Azevedo pertencia a uma família de nobres abastados. Com forte tino administrativo na juventude, abandonou a gestão dos bens familiares após um retiro espiritual e ingressou na Companhia de Jesus em 1548. Sua rápida ascensão intelectual e de liderança o levou ao cargo de reitor em Lisboa e, posteriormente, ao posto de vice-provincial.

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Em 1565, recebeu a missão de inspecionar o andamento das frentes missionárias no Novo Mundo. Após passar três anos no Brasil, constatou a necessidade de reforços humanos para estruturar os colégios e aldeamentos no litoral brasileiro. Ao retornar à Europa, recrutou jovens jesuítas fervorosos na Espanha e em Portugal para a travessia de retorno.

O ataque corsário e a beatificação

A viagem rumo ao território brasileiro teve início em 5 de junho de 1570 a bordo da naus mercantil São Tiago. Durante o trajeto, a decisão do capitão da embarcação de navegar em direção às Ilhas Canárias colocou o grupo na rota de piratas calvinistas franceses comandados por Jacques Sourie.

O desfecho da viagem foi trágico para os religiosos:

• O confronto: A embação foi atacada e dominada nas proximidades de Las Palmas após um combate violento.

• A execução: O capitão corsário poupou os tripulantes civis, mas ordenou a execução sumária de todos os jesuítas por motivos religiosos.

• O grupo dos 40: Ao todo, 31 portugueses e 9 espanhóis foram degolados e lançados ao mar. O número inicial de missionários foi completado de forma voluntária por um jovem postulante a bordo.

O Papa Pio IX confirmou oficialmente o culto e decretou a beatificação do grupo de mártires em 1854.

Outras celebrações litúrgicas deste dia

O calendário católico também evoca o testemunho de outras personalidades de relevo histórico nesta mesma data:

• Santos Mártires Cilitanos (Tunísia): Grupo de 12 cristãos martirizados em Cartago no ano 180.

• Santa Marcelina (Itália): Irmã de Santo Ambrósio e virgem consagrada em Milão no século IV.

• São Leão IV (Itália): Papa responsável pela ferrenha defesa da cidade de Roma no século IX.

• Santa Edviges (Polônia): Rainha nascida na Hungria e grande defensora dos marginalizados no século XIV.

• Beatas do Carmelo de Compiègne (França): Grupo de 16 carmelitas executadas em Paris durante a Revolução Francesa.

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