A queda repentina de cabelo em áreas específicas do corpo costuma acender um alerta de preocupação. Quando esse sintoma se manifesta por meio de falhas circulares e lisas, o diagnóstico mais provável é a alopecia areata. Trata-se de uma condição autoimune em que o próprio sistema imunológico ataca por engano os folículos pilosos, interrompendo o crescimento dos fios.
Genética, gatilhos ambientais e diagnóstico
A exata causa por trás do distúrbio ainda desafia a medicina, mas a principal linha científica aponta para uma combinação entre predisposição hereditária e gatilhos externos. De acordo com o médico dermatologista Walter Refkalefsky Loureiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-PA) e professor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), o histórico familiar aumenta o risco de desenvolver a condição, embora a manifestação dependa de fatores ambientais ainda não totalmente mapeados.
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Na rotina de consultório, traumas emocionais intensos — como o luto ou separações — e infecções diversas são frequentemente relatados pelos pacientes antes do surgimento das falhas. O especialista pondera que, embora essa associação clínica seja observada no dia a dia, ainda faltam estudos controlados capazes de comprovar cientificamente que o estresse psicológico seja a causa direta do surto.
Para identificar o problema, é preciso diferenciar a alopecia areata da calvície comum (alopecia androgenética). Enquanto a queda tradicional provoca o recuo da linha capilar (as famosas entradas) ou o raleamento progressivo do topo da cabeça, a areata surge de forma abrupta, criando placas redondas e delimitadas onde o cabelo cai por inteiro e os fios restantes ao redor se soltam com extrema facilidade ao toque.
Evolução clínica e alternativas de tratamento
A alopecia areata não possui uma cura definitiva, apresentando um comportamento imprevisível. Alguns indivíduos enfrentam apenas um episódio isolado ao longo da vida e se recuperam de forma espontânea, enquanto outros enfrentam surtos crônicos e recorrentes que podem persistir por anos.
O direcionamento terapêutico varia conforme a idade do paciente, a extensão das lesões e o histórico médico geral. Em quadros iniciais ou com lesões pequenas, a conduta pode ser apenas expectante. Já para casos mais severos ou de progressão rápida, as abordagens incluem:
• Corticoides: Aplicados via cremes tópicos, loções, infiltrações injetáveis diretamente nas placas ou por via oral.
• Imunossupressores: Utilizados em quadros avançados para frear o ataque imunológico contra a raiz do pelo.
• Terapia coadjuvante: Emprego de polivitamínicos e shampoos suaves para manter a integridade do couro cabeludo.
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