A situação das pontes sobre o rio Itacaiúnas, que interligam os núcleos Nova Marabá e Cidade Nova, permanece no centro das atenções em Marabá no sudeste paraense. Na manhã desta sexta-feira (20), em entrevista concedida ao jornalista Nonato Dourado, no programa da Rádio Clube FM 100,7 Mhz, o engenheiro civil Fábio Cardoso Moreira analisou o cenário crítico das estruturas e as recentes informações sobre uma possível demolição das duas vias existentes na Rodovia Transamazônica (BR-230).
Desde outubro de 2025, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) mantém a interdição parcial do trecho após a detecção de falhas estruturais. Fábio Moreira, especialista em estruturas, destacou que, embora a recuperação técnica seja quase sempre possível devido ao avanço da engenharia, a decisão do órgão federal pode ser pautada pelo aspecto econômico.
"Mecanismos para recuperação geralmente existem, mas é preciso fazer uma análise de custo-benefício. Às vezes, torna-se mais barato reconstruir do que tentar consertar o problema", pontuou.
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O engenheiro manifestou estranheza quanto aos rumores de que ambas as pontes — a mais antiga e a mais nova da rodovia — seriam implodidas. Segundo ele, enquanto a estrutura mais recente apresenta um "colapso visível", a segunda via não demonstra sinais claros de deterioração que justifiquem, à primeira vista, sua demolição total.
Além disso, Moreira alertou para os riscos técnicos de uma eventual implosão sequencial: "A demolição da primeira ponte pode causar impactos na segunda. É preciso saber se ela continuará segura para suportar o trânsito que hoje está todo concentrado nela".
Cobrança por Transparência
A falta de um relatório oficial detalhado por parte do DNIT foi um dos pontos altos da crítica do especialista. Para Moreira, o desencontro de informações gera insegurança na população que utiliza a via diariamente. "Falta muita transparência. Os órgãos públicos precisam informar a população sobre o real grau de segurança para o tráfego", reiterou.
O papel da Ponte Ana Miranda
Diante do gargalo logístico, a Ponte Ana Miranda, construída pela gestão municipal anterior em que Fábio participou, tornou-se a principal alternativa de fluxo. O engenheiro aproveitou o espaço para desmistificar informações sobre a capacidade da nova estrutura. Ele garantiu que a ponte estaiada foi projetada e calculada para suportar tráfego pesado, ao contrário do que sugerem boatos locais.

"O decreto que restringia carretas na Ana Miranda foi uma solicitação do departamento de trânsito para preservar o padrão urbano e residencial do bairro Cidade Nova, cujas ruas têm sete metros de largura, e não por limitação da ponte", explicou. Fábio ressaltou que, embora a estrutura suporte o peso com tranquilidade, o impacto principal é urbanístico, dado o aumento expressivo de veículos em áreas residenciais.
Por fim, o engenheiro deixou um alerta sobre a cultura de manutenção. "Como qualquer estrutura, a Ponte Ana Miranda requer manutenções periódicas, leves ou pesadas. Agora a Prefeitura tem uma ponte sob sua responsabilidade e deve seguir as normas técnicas para evitar que, daqui a alguns anos, nos deparemos com a mesma situação crítica que vivemos hoje com as pontes federais".
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